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Ricardo Janela | Voluntário FÉRIAS NA DESPORTIVA

Antes de realizar o testemunho propriamente dito, queria fazer um agradecimento especial à Câmara Municipal de Cascais e seus funcionários, aos funcionários da Cascais Jovem e ao staff do Clube de Futebol de Sassoeiros pela oportunidade não só de poder participar no programa e respetivo projeto, como por me permitirem fazer um testemunho escrito da minha experiência.

Começo, em primeiro lugar, por dizer que foi uma experiência gratificante, divertida e, tal como em tudo na vida, desafiante. Mas, se o que vou guardar na memória vão ser os momentos de boa disposição e felicidade, são os momentos menos fáceis que me vão permitir explicar o quão bom foi o passado mês de Julho. E digo isto porque, na minha opinião, todas as adversidades são ultrapassadas se estivermos rodeados de pessoas sempre prontas a ajudar, bem dispostas e que criam um bom ambiente, tornando os momentos difíceis em momentos menos bons, que foi precisamente esse o caso do projeto onde participei. Aquele pequeno receio inicial que tive no primeiro dia de trabalho, não por duvidar de mim próprio, mas por ainda não conhecer as pessoas com quem ia trabalhar, por ser inexperiente e não ter rotinas de trabalho rapidamente desapareceu, porque fui muito bem recebido pelos funcionários do Clube de Futebol de Sassoeiros, que foram sempre prestáveis e sempre mostraram carinho e atenção para comigo e para com os meus colegas, facilitando o nosso trabalho e fazendo com que todos as horas de trabalho passassem sem se dar por isso pois, tal como se costuma dizer, os bons momentos passam “a correr”.

Durante este mês de Julho, convivi com crianças dos cinco aos catorze anos e foi das melhores experiências que já tive. A constante felicidade e os constantes risos e sorrisos das crianças trouxeram, não só uma contagiante boa disposição e uma vontade de participar nas atividades e de interagir com elas, como uma pequena saudade dos tempos em que tinha aquela idade, onde a vida era simples e não havia preocupações. É claro que os “pequenos diabos” causaram alguns problemas e nem sempre foram os mais cumpridores, exigiram mais alguma atenção e cuidado, e por vezes até incomodaram quem estava à nossa volta, mas foram pequenas coisas que nada tiveram importância, já que todas essas atitudes se deverem (e devem) à inocência e genuinidade próprias destas idades. Algumas delas mais fechadas e tímidas, e outras mais confiantes e destemidas; algumas mais bem comportadas e outras mais rebeldes; umas mais novas e outras mais velhas, mas todas elas com um só objetivo bastante visível: aproveitar bem todo o tempo e divertirem-se ao máximo.

Nos cinco dias de trabalho, a segunda, quarta e quinta eram os dias de ficar no edifício do Clube de Futebol de Sassoeiros, com algumas saídas ocasionais ao parque, enquanto que a terça e sexta eram dedicadas às saídas mais distantes, onde passávamos a maioria do dia (8/9 horas aproximadamente). Nos dias passados “em casa” as crianças alternaram entre: estar na academia a jogar no telemóvel, a jogar matraquilhos, cartas e tomar os lanches da manhã e da tarde; e realizar as mais diversas atividades, agora com mais espaço, no pavilhão do Clube, onde puderam praticar vários desportos (futsal, andebol, voleibol, atletismo, etc…) e outros jogos comuns como o “mata”, brincar com arcos, saltar à corda, entre outros. Já as saídas foram os dias onde, para além de tanto nós voluntários como os monitores tivemos de redobrar a atenção e cuidado por causa da exposição a perigos diversos, as crianças tiveram mais liberdade e espaço para se divertirem e aprenderem a fazer outras coisas, como mergulhar da prancha da piscina de Monsanto, ou até vencerem alguns medos, como entrar na água fria da praia fluvial de Olhos d’Água, em Alcanena.

Tive ainda, para além de tudo isto, o privilégio de trabalhar e conviver com duas crianças com necessidades especiais, o Tomás e o Gaspar. Os dois exigiram mais paciência e uma atenção quase constante da minha parte, mas o que é facto é que aquelas diferenças que exteriormente e “a priori” pudessem ter em relação às outras crianças não se verificaram, e os muitos momentos que passei com os dois foram momentos de alegria e também de aprendizagem, porque me mostraram que há muito para além daquilo que se vê.

Se pudesse, em jeito de conclusão, fazer um balanço de tudo aquilo que aprendi e que hoje sou diferente do que era no dia 2 de Julho de 2018 diria que: aprendi o que é ter uma rotina de trabalho; melhorei algo que eu acho que já tinha, o espírito de trabalho de grupo; apesar de sempre ter gostado imenso de crianças, aprendi a orientá-las e percebi quais as melhores abordagens para lidar com os seus problemas e ajudá-las nas suas necessidades; adquiri a capacidade de estar sempre atento e de manter essa atenção durante várias horas. Percebi que em conjunto sou capaz de ir mais longe tanto no trabalho como noutras ocasiões, daí que tantos os meus colegas como os monitores do Clube de Futebol de Sassoeiros tenham sido tão importantes e são eles que me levam à grande diferença que eu posso tirar deste último mês, que vai para além do trabalho propriamente dito: criei laços e relacionei-me com pessoas fantásticas, as quais terei todo o prazer de voltar a encontrar, seja em situações profissionais ou do dia-a-dia.

Concluindo, só tenho coisas positivas a retirar desta minha experiência no programa Férias na Desportiva, e acho que falo por todos os meus colegas quando digo que não trocava este mês por outra coisa. E digo isto porque basta olhar para a sessão de formação que decorreu antes de tudo isto, e depois olhar para o momento da avaliação, onde as diferenças são mais que visíveis. No início, apesar de tanto eu como os meus colegas sermos pessoas extrovertidas, ainda havia aquela falta de “à vontade” e uma certa timidez, algo que não se viu na última sessão de todas, onde toda a gente interagiu, sorriu e mostrou toda a boa disposição que tinha dentro de si. Posso dizer então, e sem quaisquer dúvidas, que todos nós somos pessoas diferentes (para melhor) depois de termos trabalhado no programa Férias na Desportiva, cada um no seu respetivo projeto, pois este trabalho ensinou-nos coisas novas, melhorou aspetos em que já éramos bons, e acrescentou uma experiência valiosa para o futuro das pessoas que aqui tiveram o privilégio de trabalhar.